O apóstolo Tomé (mas poderia ser o seu nome, caro leitor) – SOLOMON1

8 03 2009

Os homens que Jesus escolheu para lhe fazer companhia durante seu período de encarnação eram pessoas comuns e pertencentes da sua época. Se observarmos atentamente os tipos escolhidos, veremos que nos identificamos com cada um deles em pelo menos algum momento da nossa vida. Eventualmente nos parecemos com Pedro. Noutro momento, nos parecemos com João, ou com Mateus, ou com André. Contudo, creio que poucos gostariam de ser comparar com o apóstolo Tomé, conhecido pelo episódio de ter desconfiado dos seus amigos e do fato de Jesus ter ressuscitado.

Sempre que ouço falar em Tomé, o aspecto que sempre é enfatizado é o fato dele ser o apóstolo que duvidava. Invariavelmente é isso que se ouve quando ele é o tema de alguma pregação. Suas dúvidas, sua descrença seus questionamentos são colocados de tal forma que percebemos exatamente isso, uma pessoa sem muita fé naquilo que ouvia. Nesse mesmo episódio, nos é dito que Tomé não estava reunido com os discípulos e sabe lá o que é que ele estava fazendo. Não vou ficar especulando sobre isso. Mas o fato é que quando nos afastamos daqueles que amam e servem a Jesus Cristo, somos tomados por dúvidas e desesperança. Fomos enxertados na videira para fazermos parte de outros ramos. Pense nisso!

Algum tempo depois da visita do Senhor Jesus, chega Tomé e os discípulos contam a ele o que tinha acontecido. E Tomé toma uma atitude, que ao meu ver, foi de uma coragem muito grande. Tomé ousa duvidar das palavras de Jesus. O discípulo que andava com Jesus e ouvia Seus ensinamentos diariamente ousa questionar as palavras de Jesus. E ainda mais, ele tem a coragem (ou a insensatez) de duvidar da Sua ressurreição. O evento mais extraordinário para os cristãos, a vitória sobre a morte, é colocada à prova por um discípulo que mal é apresentado nos evangelhos.

Caro leitor, não sei se você já questionou a existência de Deus, depois de tê-lO conhecido. Não sei se você já colocou Deus à prova. Foi isso que Tomé fez com Jesus. Imagine, passar três anos intensos, ouvindo as palavras das mais diversas, ser convencido de que essas palavras eram a verdade – afinal de contas Tomé ficou três anos com Ele e não arredou o pé, sinal de que acreditava em Jesus – e, no momento mais crucial da vida, você se posiciona diante de Deus e Lhe diz: “Só acredito se o Senhor provar”, ou “Se Deus existe, que Ele me prove a Sua existência”. Não sei quanto a você, mas eu temeria muito dizer isso a Deus. E não foi só isso. Tomé, além de duvidar da ressurreição de Jesus, ficou oito dias sem a resposta. Novamente não vou especular sobre o que Tomé pensou ou sentiu nesse tempo. A partir de agora vou refletir sobre o que eu sentiria se estivesse no lugar dele.

Uma semana… uma semana sem receber resposta para a indagação. Como você se sentiria se pedisse a um amigo íntimo uma ajuda e a resposta demorasse uma semana? Nem precisamos ir longe. Abrimos nossas caixas de email todos os dias para sabermos se fomos respondidos. E quando ainda não recebemos as respostas ficamos agoniados. Você faz uma solicitação e não há resposta. Que decepção, que desilusão isso causa.

Novamente lhe peço: coloque-se no lugar de Tomé. Ao questionar a veracidade das palavras de Jesus, Tomé assume uma posição de conflito e de falta de identificação com os outros discípulos. Faça isso e diga na sua igreja que não acredita na existência de Deus até que Ele te prove isso. Ouse questionar a existência de Deus para o seu pastor e veja a reação dele. Em alguns casos é capaz de uma pessoa, que ouse fazer isso, entrar em disciplina. Posicione-se na frente do espelho da sua alma e pergunte-se: “Acredito realmente na existência de Deus?” Esse é o tipo de pergunta que nem ousamos fazer, com medo de pecarmos contra Deus.

Realmente, ao que tudo indica a atitude de Tomé foi tratada por Jesus como um pecado, o pecado da incredulidade. Ora, mas Tomé era homem, sujeito a pecar. E nós? Passamos por momentos na vida que pensamos que Deus está distante de nós, que Ele não está no controle da nossa vida. Quantos momentos, em profundo desespero de alma, não sentimos a mão de Deus a nos guiar e proteger. Há momentos na vida que somos como Pedro andando sobre o mar. Perdemos o foco e a direção de Jesus e começamos olhar em volta e percebemos os ventos e as ondas, logo começamos a afundar.

Se tivesse questionado a veracidade de Jesus ficaria me sentindo muito vulnerável. Se acredito que Ele existe e é o Todo-poderoso, tenho onde me apoiar e segurar, posso me lançar em Seus abraços de amor e ser sustentado pelo seu poder. Mas se O questiono, onde vou me apoiar? No meu semelhante que é cheio de falhas, assim como eu? Vou me apoiar no trabalho? Vou apoiar na minha família, que muitas vezes já me deixou na mão? Não há base onde se apoiar depois de questionar a existência de Deus. Mas Tomé questionou e, possivelmente, não pensou nas conseqüências do seu questionamento.

Será que acredito realmente na existência de Deus? Será que O amo de verdade e confio totalmente nEle? Será que Sua Palavra é, de fato, “lâmpada para os meus pés”, ou prefiro me guiar segundo julgo estar certo? Acredito realmente nas orações que fiz até hoje, muitas delas sem resposta ainda? Será que realmente vejo no pastor da minha igreja local, a pessoa escolhida por Deus para me guiar às “águas tranqüilas”? De fato, acredito em tudo aquilo que digo ser a verdade, a Palavra de Deus?

Olha, se você nunca fez essas perguntas, parabéns; você já está pronto para ir pro céu. Na verdade não sei o que ainda está fazendo aqui. Entretanto, se essas perguntas aparecem na sua cabeça, não se preocupe com elas; você faz parte do grupo dos cristãos normais. Gente que foi alcançada por Jesus, mas ainda habita um corpo cheio de imperfeições, falhas e pecados. O próprio Jesus mostrou a Tomé que é difícil crer nEle sem tê-lO visto. E os que fizeram dessa forma são bem-aventurados.

No caso de Tomé a resposta veio em uma semana. Muitos de nós nos posicionamos como se Deus tivesse que nos provar todos os dias a Sua existência. Ao contrário do que muitos cristãos pensam, julgo que estamos sujeitos a esses questionamentos na nossa vida. E digo mais, nas dificuldades que temos, naquelas que nos roubam o sono, ou naquelas que consideramos as menores, nos colocamos da mesma forma de Tomé. O fato é que não temos a mesma coragem dele.

Lutamos diariamente contra nossa natureza de pecado, queremos parecer fortes e colocamos nas nossas vidas frases bem decoradas e de efeito moral. Coisas do tipo: “Sei que Deus está por trás disso”, “Isso faz parte do tratamento de Deus comigo”, “Deus está me preparando para algo melhor”. Ou ainda somos mais espirituais e dizemos: “Todas as coisas cooperam para o meu bem, então sei que Deus tem algo melhor lá na frente”. Vá lá. Fique no seu quarto repetindo essas frases 300 vezes e quando sair da zona de conforto do seu mundinho vai perceber que de nada adiantou falar essas frases, se de fato elas não são vida para você.

Marcos David Muhlpointner – solomon1. com


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